PORTO + NORTE


  • Da falta de educação e falta de bases de dados municipais

    De acordo com os censos 2021, a maioria dos residentes nas freguesias de Bonfim, Campanhã, Paranhos e Ramalde tem um nível de escolaridade básico, entre o ensino primário e o secundário obrigatório. Ter diversas universidades e politécnicos na cidade não resultou até à data. Com as taxas de natalidade baixas, o problema também não se resolverá com o tempo. A estratégia pública de atrair estrangeiros pode ajudar, 10 pessoas a dividir a renda de um apartamento podem influenciar positivamente o rendimento de um proprietário e dos negócios da cidade em geral, e em consequência isto até poderá vir a influenciar os níveis de educação. Mas, só pelo tamanho e construção da frase, vemos que é uma estratégia foleira. Por outro lado, com as rendas quase ao nível de Barcelona, é difícil competir com o resto da Europa e atrair cérebros. 

    Mas o que verdadeiramente interessa é Campanhã, que nesta matéria está em primeiro lugar. Tem ainda menos licenciados que as outras freguesias, e doutorados não chegam sequer à centena. Só com muito esforço público se conseguiria esse feito, e é portanto de aplaudir a última década de estratégias públicas. 

    Que solução poderia ter Campanhã? Casas para pobres não resultou, é evidente. Talvez se a comunidade se unisse e fizesse os seus próprios projetos, até a sua própria moeda, afinal é uma freguesia à parte, de tanto não existir é a única que tem espaço para inovar depois desta década em pausa. 

    Sucede que para fazer projetos e parcerias internacionais são necessários dados. A Comunidade Europeia financia os municípios para que estes os reúnam e estejam acessíveis de forma fácil à população. Mas não há dados para Campanhã!

    Por exemplo, onde está o sensor de qualidade do ar em Campanhã e a respectiva base de dados? Ou outras, bases de dados de equipamentos de lazer, ou outras infraestruturas críticas ou não críticas? Estes dados são importantes para os cidadãos, mas também para o executivo e a oposição. Sem tecnologia para recolha de dados nos locais, como é que o executivo avalia o impacto dos projetos imobiliários? Por exemplo, o impacto de transformar um projecto de urbanização de pequenas moradias num projecto de brutalização imobiliária que está a planear para Monte da Bela ou Monte Pedral? Qual o impacto ambiental, biodiversidade, qualidade do ar, que se irá reflectir aqui e em toda a cidade, durante a construção e após esta? Foi a olho, ou com o recurso ao set de dados Quero Posso e Mando. 

    Bem, vou deixar-vos o link das bases de dados municipais, o set Sociedade. Pode dar-se o caso de eu estar tão farta deste executivo vintage que já não vejo nada. Por favor, avaliem a qualidade, utilidade e facilidade de uso dos dados neste portal, e se houver entre os leitores um expert que encontre dados sobre Campanhã, por favor escreva-me, começo a duvidar da existência da freguesia e da minha própria existência, já que a comunidade, exceptuando os malogrados artistas do Stop, parece estar toda satisfeita com a estagnação tecnológica e educacional dos últimos anos. Precisamos de projectos realmente fundamentados para Campanhã. Dados são precisosos. 

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  • Apelo: fim dos estereótipos negativos acerca de Campanhã

    Após a vitória, o Dr. Rui Moreira afirmou que “se Deus quisesse iria cumprir o seu mandato até ao fim”. Fiquei muito assustada com esta afirmação, tanto que quando vi a inundação das Fontainhas e da Cordoaria em direção a São Bento, pensei que era um dilúvio. Não foi. Mas, de qualquer modo, considero que estando tudo nas mãos de Deus pouco ou nada vale a pena debater a cidade.

    Abro só uma excepção para Campanhã, e nem é sequer para debater os megalomaníacos projetos de densificação urbanística, como o regresso ao Plano do Pormenor das Antas, ou a Brutalização dos Terrenos do Antigo Vicente de Paulo. Isso deixo nas mãos de Deus, que há-de decidir se os moradores residentes nas imediações merecem ficar sem sol e de janelas tapadas. Ironias à parte, a verdade é que é impossível qualquer discussão com este executivo a nível imobiliário, e outros interesses o municipio não tem. 

    Dirijo-me aos portuenses para um apelo à empatia e à inteligência crítica. Gostaria de apelar ao fim dos estereótipos negativos sobre Campanhã. Expressões como “pobreza”, “exclusão social” , “tráfico” etc, não correspondem à realidade estatística, prejudicam os que residem nessa freguesia, e servem de justificação propagandista para levar avante projetos que lesam os interesses públicos. Lembro que as infraestruturas públicas em Campanhã têm sido entregues a privados a custo zero por dezenas de anos, por exemplo Piscina, Matadouro. A custo zero entregámos a um clube que fatura milhões a piscina descoberta que servia Campanhã no Verão. As crianças agora banham-se no Rio em condições miseráveis que com certeza nos custarão caro em matéria de saúde pública no futuro. E não se deixem enganar pela propaganda do algoritmo, fui cliente da piscina durante anos, e nunca mais lá pude entrar no Verão, o meu clube não deixa! O caso do Matadouro: uma cidade tão bem de contas certamente não precisaria de descer tão baixo, literalmente um negócio da China, que nunca pagou indemnização pelo atraso de mais de 7 anos. 

    Em temos estatísticos, este estereótipos também não têm cabimento. Primeiro porque os indicadores de qualidade e desenvolvimento mudaram. Numa avaliação pelos indicadores atuais tais como espaços verdes, qualidade do ar, baixa densidade, identidade e cultura local, Campanhã está numa posição excelente. Em segundo lugar, os dados também revelam que, em temos de projeção de sustentabilidade em face aos desafios climáticos, Campanhã é actualmente a freguesia que reúne as condições de Green City capaz de lançar o Porto a um nível de desenvolvimento de cidades de topo. Aliás, sem qualquer estatistica, é fácil verificar – os porcos e ovelhinhas que vemos por Campanhã, e os mais conservadores tanto criticam e apontam como pobreza, poupam trabalho e dinheiro a todos; de Lisboa a Estocolmo, qualquer cidade que se preza investe e nutre estes animais. Em terceiro lugar, e a par da Green City, é a única com condições para oferecer um verdadeiro refúgio de inovação com as condições idílicas desejadas, se não lhe mexerem muito. 

    Se preferirem utilizar os indicadores antigos, também nesse campo Campanhã mudou nos últimos anos. Basta consultar os censos. Campanha diminuiu a pobreza diminuindo o numero de dependentes. Quem diria? Pois, terá agora que se encontrar soluções para os T3 e T4 dos bairros sociais.

    Não me vou justificar com links ou fontes de informação, porque os portuenses têm passado muito bem com sonegação dos dados estatísticos municipais e fabricação de relatórios. Em condições de Democracia normal, é fácil compreender que estereótipos negativos não ajudam ninguém. 

    Para aqueles que gostam das análises a olho, tenho dois argumentos: Campanhã ergue a bandeira LGTB+ há anos, quando nos Aliados o executivo vergonhosamente se recusou por vários anos, catapultando-nos para os anos 80. Relativamente ao tráfico, infelizmente os nossos toxicodependentes morrem sobretudo nos arredores da Pasteleira, em especial quando o nosso Autarca decide retirar-lhes as tendas no dia mais frio do ano.

    Para aqueles que mesmo assim não compreendem o prejudicial que são os estereótipos negativos. Deixo um quadro ilustrativo que revela que, pelo menos a nivel cognitivo, memória, capacidade de comunicação e expressão, há freguesias no Porto bem piores que Campanhã. Não deixo para enxovalho, deveriam ser indicadores como estes, e a saúde em geral, o nosso motor para um futuro sustentável. Há muitos nos censos.

    Na esperança que adiram a este meu apelo, e com muita pena do nível de silenciamento e falta de debate a que chegámos, despeço-me com amizade. Lembrem-se: Campanhã Matters

    Cristina Afonso 

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  • 80%

    Não confundo a cidade do Porto com o FCPorto, mas as eleições que removeram Pinto da Costa são um bom sinal de que a cidade está viva e não se resigna.

    Dizem que ele não merecia sair assim. Sim, teve grandes qualidades e sucessos. Esse mérito ninguém lhe tira. Mas também teve grandes defeitos, esqueceu-se de que os fins não justificam os meios. Permitiu e promoveu um ambiente tóxico inaceitável, ao longo de muitos anos. Mereceu esta saída. É pena.

    80% de votantes em André Villas-Boas é um número espantoso, que revela até que ponto os sócios estavam fartos de ver o clube tomado de assalto por interesseiros e lambe-botas que, na realidade, traíam o próprio presidente ao omitirem o indispensável feedback que lhe teria permitido corrigir o rumo. Quem nestas eleições apoiou Pinto da Costa ficou com um cadastro que demorará muitos anos a branquear…

    Pelo relevo que tem na identidade da cidade, esta reconquista do clube por parte do povo gera esperança. Depois de cumprida esta missão, talvez seja altura de passar à seguinte: fundir Gaia e Matosinhos no Porto. Se na prática estes três concelhos são uma única cidade, para quê manter-se uma estrutura administrativa dividida em 3 municípios distintos, criando dificuldades e demoras na gestão global deste território? A formalização desta realidade é o caminho natural para um Porto que é muito mais que o Porto actual. Pois, como acabou de se confirmar, a alma portuense mantém-se invicta.

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  • 20 anos d’A Baixa do Porto

    Está a planear-se uma singela comemoração dos 20 anos d’A Baixa do Porto, para o fim da tarde e/ou noite de 24 de Abril. Pode ser um pôr-do-sol de copos ou um jantar, algures na Baixa (em sentido lato). Eventuais interessados por favor informem-me, e também se aceitam sugestões.

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  • Da Mercearia do Bolhão e de um Jardim ao Pé da VCI – Que Cidade Queremos?

    A notícia do encerramento da Mercearia do Bolhão é mais uma, a juntar a várias, de como o Porto, de cidade com identidade, continua aceleradamente no caminho de misto de parque de diversões para turistas, cidade fantasma, ou cidade para eleitos de carteira gorda.

    Do artigo do Porto Canal: “O senhor “que está agora”, Alberto Rodrigues, conta que antes a clientela era muita. “Tinha um rol impressionante de clientes”.“A maioria eram de bancos e companhias de seguro. Depois também havia aqui os residentes. Residentes que foram desaparecendo, porque deram lugar agora aos Alojamentos Locais. Isto teve uma transformação muito grande”, admite ao Porto Canal.”

    O citado, as gigantescas alterações ao tecido, humano, social, económico da cidade advém de falta de pensamento integrado, flexível, de futuro. Pensamento esse em vigor há décadas.

    Tendo-se retirado serviços, comércio, habitantes, do centro do Porto, assim como de outras zonas da cidade, ficou-se com um ovo de chocolate, oco por dentro, mas muito bem embalado num resplandecente papel dourado com laçarote em néon. Isso leva-me a outro ponto. O pequeno jardim entre o Conde de Ferreira e a Via de Cintura Interna.

    Como referido no artigo do Público, o terreno pertence à Misericórdia, foi ajardinado pela Câmara Municipal do Porto, e serviu, durante muito tempo, os locais, eu incluída. É (era) o meu pequeno jardim. Fica mesmo junto à antiga casa dos meus avós maternos.

    Três prédios de habitação? Um jardim, árvores, verde, um pulmão junto à poluição da Via de Cintura Interna, essa via do ruído, sobre a qual o Alexandre Burmester aqui tanto fala, e bem. Como referi, a antiga casa dos meus avós maternos – deixada de estar na posse da família antes de eu nascer -, é mesmo ali ao lado.

    Uma de várias moradias vazias, às quais se juntam apartamentos, prédios sem inquilino. Várias das construções estão em diversos estados de degradação. A minha opção é a segunda. Paralela e, aparentemente, paradoxalmente, tudo o que é pequeno terreno, ou antigas pequenas casas unifamiliares, está a ser transformado em prédios feios, rivais de primeira dos construídos na época dos patos bravos. Boa parte desses prédios fica vazia.

    O que queremos? Uma ilusão de cidade cosmopolita? Ou uma cidade única, com identidade, para os seus, capaz de os bem tratar e, assim, permitir o bom acolhimento de terceiros, ou esta cidade de fogo de vista, sem percepção do seu todo, do seu futuro?

    Tiago, vi a tua intervenção na Assembleia Municipal. Gostei. Em relação à co-habitação (co-living), a meu ver deve ir para lá de multi-geracional.

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  • Começar o fim de semana em depressão

    Alertado por um post do David no Facebook, fui ler a notícia do Porto Canal:

    Mercearia mais antiga do Porto vai fechar para dar lugar a Ale-Hop

    Acho que isto foi a gota de água: o Porto é oficialmente um bordel. Triste maneira de comemorar os 20 anos d’A Baixa do Porto.

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  • Empresas pouco Municipais ou Municípios com pouca cidadania

    O exemplo que aqui trazes, Tiago, é bem o paradigma de que o problema da falta de habitação é muito mais complexo do que se quer fazer crer ao legislar matéria que supostamente resolve ou ajuda a sua situação, quando as entidades públicas têm o particular jeito de lhes acrescentar a complicação e a morosidade.

    Nota: Assisti à tua intervenção na Assembleia de Câmara e não pude deixar de passar os olhos pelos assuntos aí tratados. Que gente, que oposição, que categoria… tudo bem patente na qualidade das intervenções e em particular com a atitude sobre a expansão de um parque urbano.

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  • Empresas pouco municipais

    Não sei se o mesmo fenómeno se passa noutros concelhos, mas verifico que as empresas municipais do Porto actuam frequentemente de forma descoordenada entre si e com fraca ligação aos serviços autárquicos. Sempre fui crítico da própria existência de empresas municipais, mas fui aceitando o argumento de que a burocracia portuguesa obriga a recorrer a estruturas juridicamente independentes da autarquia para evitar dificuldades graves na gestão corrente da actividade. Já é tempo de optar pela solução “limpa” para o problema – eliminar os encravamentos burocráticos.

    Fui ontem fazer uma intervenção na Assembleia Municipal do Porto a este respeito, exemplificando com dois casos concretos.

    O primeiro caso conheço muito bem e estou directamente envolvido nele. A história começa em 2018, quando foi concretizada a venda de um enorme portfólio de imóveis dispersos por todo o país no valor de cerca de 425 milhões de euros. O vendedor foi a seguradora Fidelidade e o comprador foi o fundo multinacional Apollo através de 4 sociedades-veículo criadas em Portugal para o efeito. Num dos imóveis que se localiza no Porto, é desde 1956 inquilina residencial uma tia minha, agora com quase 96 anos mas felizmente em boa saúde.

    Tive conhecimento com antecedência de que se preparava essa volumosa transacção e por isso fui seguindo o assunto com muita atenção. Ela acabou por ser foi feita à pressa para fugir à mudança legislativa que veio depois e que teria impedido a sua realização nestes moldes. Comprador e vendedor invocavam uma suposta natureza “una e indivisível” do negócio que justificaria ser necessário comprar a totalidade do portfólio (os 425 milhões de euros) por quem quisesse exercer o direito de preferência quanto a qualquer um dos imóveis.

    Contudo, essa argumentação tinha inúmeras falhas jurídicas e de lógica, até porque a pressa impediu uma “blindagem” adequada dos formalismos da transacção. Investiguei os detalhes do negócio e entreguei ainda em 2018 à Câmara do Porto documentação oficial comprovativa dessas falhas que permitiria ao Município colocar acções de preferência quanto aos imóveis que quisesse adquirir. Recomendei que o fizesse pelo menos no caso concreto de um muito interessante na Rua de Cedofeita, com 3000 m2 de área bruta coberta, o tal onde reside a minha tia.

    De facto, a Câmara decidiu recorrer ao tribunal no final de 2018 e acabou por conseguir, já em 2022, uma transacção judicial, sendo o Município do Porto formalmente proprietário do imóvel desde Setembro de 2022. A primeira vistoria ao imóvel por parte da autarquia foi feita a 25 de Janeiro de 2023, acompanhada por mim. A sua gestão é da Porto Vivo desde 22 de Maio de 2023. Apesar da brutal demora do processo, tudo parecia estar a correr bem até aqui.

    Apesar de o ter adquirido, a Câmara do Porto pouco conhecia sobre o imóvel que, na realidade, são 2 edifícios contíguos e em estado muito diferente de conservação. Alertei a Câmara para a existência de outra inquilina idosa (que a autarquia ignorava) que vivia com o filho deficiente na parte mais degradada do imóvel, em miseráveis condições de salubridade. A pedido deles, auxiliei-os nos contactos com os serviços autárquicos e com a assistência social, tendo entretanto sido realojados conforme era seu desejo.

    A situação da minha tia é bastante diferente. Nesta altura ela é a única inquilina do imóvel. O edifício onde se situa a habitação dela está em boas condições estruturais, apesar de precisar de significativa manutenção. É claro que a responsabilidade do Município do Porto só se inicia no momento em que se torna proprietário do imóvel, mas isso já aconteceu há ano e meio. Atendendo ao estado do edifício, a família não teve alternativa a não ser realojar temporariamente a minha tia num lar.

    A Porto Vivo fez uma primeira intervenção no sentido de restabelecer o fornecimento de água (até isso falhou!), mas ela está longe de ser suficiente para que o apartamento se torne habitável. As canalizações internas estão muitíssimo degradadas. O cilindro não funciona. As ligações eléctricas estão muito sofríveis. Grande parte das caixilharias precisa de manutenção grande, pois está também em risco. Muitas das persianas (as originais de madeira, ainda) estão completamente podres, sem se poderem abrir. A madeira do chão está a apodrecer. Etc., etc. Falta também uma intervenção absolutamente fundamental nas partes comuns: um elevador a funcionar, pois actualmente está inoperacional e não é reparável. Além de tudo o resto que me dispenso agora de detalhar.

    Não se vê lógica, nem económica nem social, em “remendar” um edifício com uma única inquilina, idosa, e deserto em toda a restante área. Como o conheço bem o imóvel e a zona envolvente, sugeri à Câmara e à Porto Vivo o seguinte:

    • que o edifício mais degradado, onde residia a inquilina já realojada e que está quase em ruína, seja reabilitado e destinado a habitação acessível com apartamentos de média dimensão (julgo que será essa a intenção da Porto Vivo);
    • que o edifício onde a minha tia arrenda um dos 4 apartamentos de 230 m2 constitua um projecto de natureza diferente, mais na linha do “cohousing” ou da habitação multi-geracional, e ofereci-me para o ajudar a implantar, quer como representante da única inquilina, quer como presidente de uma pequena cooperativa de habitação;
    • que seja demolida a parte da garagem que impermeabiliza o logradouro, transformando-o num jardim que pode ter ligação ao restante espaço verde no interior do quarteirão.

    Em Fevereiro passado, a Porto Vivo concordou ser sensato desistir de uma reparação pontual, que seria insuficiente, no apartamento da minha tia. Contudo, pretende transformar este edifício de modo a ter dois apartamentos por piso, em vez de um. O apartamento dela, tal como todos os restantes, seria destruído. Para quê demolir o interior dos apartamentos originais, dos quais dois estão prontos a habitar pois já tiveram obras por iniciativa ainda da Fidelidade? Por que não restaurar, se se gasta menos e se tem resultados melhores? Que sentido faz replicar a oferta do mercado, quando há condições para ter intervenção social e dar novas respostas?

    Afirma a Porto Vivo que a sua missão não abrange aspectos de natureza social e de criação de comunidade, procurando intervir a nível do edificado apenas dum ponto de vista mais técnico. Mas é precisamente por isso que a Porto Vivo falha. A Porto Vivo tem de estar alinhada com os objectivos do seu accionista, e seguramente que uma das missões do Município do Porto é garantir habitações adequadas aos munícipes idosos.

    O segundo caso, com a Domus Social, conheço apenas através de uma notícia do Público de 11 de Abril e explica-se com uma transcrição de parte do texto:

    É assim necessário mudar os formalismos de selecção. Deve ser dispensada esta exigência nos casos em que haja evidência inquestionável de que o requerente reside na cidade, seja em arrendamento clandestino, seja porque simplesmente não tem tecto.

    Portanto, em resumo: é preciso que as empresas municipais, de forma integrada e coordenada com a Câmara, contribuam para a implantação das políticas autárquicas. Que a inércia e o desconhecimento não desbaratem a oportunidade de criar um projecto-piloto exemplar de formas contemporâneas de habitação colectiva na Rua de Cedofeita, nem deixem desamparado quem mais precisa de apoio.

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  • No dia seguinte

    Os resultados das eleições de ontem terão obviamente impacto directo a Norte, até porque muitos dos principais protagonistas são do Norte, o que vai influenciar a sua futura actuação. Seguem-se algumas notas breves.

    1) Logo às primeiras horas da noite, pareceu-me claríssima a solução que vai aparecer: governo minoritário da AD. Não adianta nada à AD aliar-se com a IL, e o Chega está fora de causa. Depois é negociar medida a medida, mantendo os princípios que levaram a vencer as eleições. Não será tarefa fácil, mas há boas probabilidades de haver um governo duradouro.

    2) Isto implica uma mudança no modo como os partidos no arco entre o CDS e o BE gerem o relacionamento entre si: muito maior colaboração e disponibilidade para ouvir. Civismo e moderação, em suma. Têm faltado, mas o país precisa de evoluir.

    3) Quem venceu verdadeiramente as eleições foi, infelizmente, a abstenção. Tem sido sempre assim. Um terço de abstencionistas continua a ser uma multidão.

    4) O Luís Montenegro e o Pedro Nuno Santos estiveram bem nos discursos de ontem. O último até surpreendentemente bem, uma grande melhoria por comparação com a campanha. 

    5) Nesta configuração da Assembleia da República, os pequenos partidos (IL e daí para baixo) só são relevantes nos casos em que simultaneamente o PS estiver contra a AD e o Chega se abstiver. Presumindo que a IL alinhará em geral com a AD, o Livre terá aqui um papel de equilíbrio bastante relevante. O BE também o poderá ter se limitar algumas tendências mais radicais.

    6) Acho que o Chega já teve o pico alguns dias antes das eleições, e que a situação já tinha sido bem mais grave do que acabou por ser. Já foi a votos em queda e continuará a trajectória descendente na medida em que a AR for encontrando soluções que não dependam dele.

    7) Uma boa opção para presidente da Assembleia da República, que devia ser acordada já entre AD e PS (ou até mesmo proposto pela AD como prova de boa fé de um futuro governo minoritário!), é o Francisco Assis.

    Em resumo: temos uma situação em que a estabilidade produtiva é possível. Caber-nos-á também dar o exemplo e apontar o caminho, a Norte.

    Post scriptum: no concelho do Porto, o Chega não chegou a 10% e na freguesia do Centro Histórico ficou ainda com menos, atrás do Livre!

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  • VCI – Não desisto…

    Pela Transformação da VCI do Porto em Avenida Urbana

    Nós, cidadãos da área Metropolitana do Porto, preocupados com o desenvolvimento urbano sustentável e a qualidade de vida nas cidades de Porto, Gaia, Matosinhos, Maia e Gondomar, vimos através desta petição expressar nosso desejo de transformar a Via de Cintura Interna (VCI) numa avenida urbana acessível, segura e amiga do ambiente.

    A VCI é uma importante via de tráfego, os números mais recentes apontam para um uso de cerca de 375 mil veículos ligeiros, aos quais somam-se mais 15 mil de pesados que, diariamente, utilizam um troço da VCI. Estes motivos representam um impacto muito negativo e significativo nestas cidades. A alta velocidade do tráfego, a poluição visual e ambiental do ar e a fragmentação dos tecidos urbanos são algumas das preocupações que enfrentamos diariamente. A transformação da VCI numa avenida urbana beneficiaria a todos, criando um ambiente mais saudável, acessível e agradável para moradores e visitantes.

    O Objectivo pretendido é o de desclassificar esta importante via como sendo auto-estrada, proibir a circulação de veículos pesados e passá-la à competência dos Municípios, que deverão:

    • Redesenhar todo o seu trajecto, introduzindo áreas verdes, espaços públicos e instalações de lazer ao longo da avenida, promovendo um ambiente mais agradável, inserindo-o na malha urbana de forma a deixar de ser uma barreira intransponível e passar a ser cidade;
    • Incentivar o uso do transporte público, caminhadas e ciclismo, reduzindo a dependência de veículos particulares;
    • Envolver a comunidade local, especialistas em planeamento urbano e outras partes interessadas no processo de transformação.

    Ao assinar esta petição, expressamos nosso forte apoio à transformação da VCI numa avenida urbana que priorize a segurança, sustentabilidade e qualidade de vida de seus habitantes, porque com a implementação destas medidas e com o decréscimo da velocidade, automaticamente deixará de ser utilizada como trânsito intermunicipal, o que irá reduzir os impactos ambientais.

    Instamos as autoridades Municipais e Nacionais a considerarem nossas preocupações e tomarem medidas concretas para tornar esta visão uma realidade.

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