Apelo: fim dos estereótipos negativos acerca de Campanhã

Após a vitória, o Dr. Rui Moreira afirmou que “se Deus quisesse iria cumprir o seu mandato até ao fim”. Fiquei muito assustada com esta afirmação, tanto que quando vi a inundação das Fontainhas e da Cordoaria em direção a São Bento, pensei que era um dilúvio. Não foi. Mas, de qualquer modo, considero que estando tudo nas mãos de Deus pouco ou nada vale a pena debater a cidade.

Abro só uma excepção para Campanhã, e nem é sequer para debater os megalomaníacos projetos de densificação urbanística, como o regresso ao Plano do Pormenor das Antas, ou a Brutalização dos Terrenos do Antigo Vicente de Paulo. Isso deixo nas mãos de Deus, que há-de decidir se os moradores residentes nas imediações merecem ficar sem sol e de janelas tapadas. Ironias à parte, a verdade é que é impossível qualquer discussão com este executivo a nível imobiliário, e outros interesses o municipio não tem. 

Dirijo-me aos portuenses para um apelo à empatia e à inteligência crítica. Gostaria de apelar ao fim dos estereótipos negativos sobre Campanhã. Expressões como “pobreza”, “exclusão social” , “tráfico” etc, não correspondem à realidade estatística, prejudicam os que residem nessa freguesia, e servem de justificação propagandista para levar avante projetos que lesam os interesses públicos. Lembro que as infraestruturas públicas em Campanhã têm sido entregues a privados a custo zero por dezenas de anos, por exemplo Piscina, Matadouro. A custo zero entregámos a um clube que fatura milhões a piscina descoberta que servia Campanhã no Verão. As crianças agora banham-se no Rio em condições miseráveis que com certeza nos custarão caro em matéria de saúde pública no futuro. E não se deixem enganar pela propaganda do algoritmo, fui cliente da piscina durante anos, e nunca mais lá pude entrar no Verão, o meu clube não deixa! O caso do Matadouro: uma cidade tão bem de contas certamente não precisaria de descer tão baixo, literalmente um negócio da China, que nunca pagou indemnização pelo atraso de mais de 7 anos. 

Em temos estatísticos, este estereótipos também não têm cabimento. Primeiro porque os indicadores de qualidade e desenvolvimento mudaram. Numa avaliação pelos indicadores atuais tais como espaços verdes, qualidade do ar, baixa densidade, identidade e cultura local, Campanhã está numa posição excelente. Em segundo lugar, os dados também revelam que, em temos de projeção de sustentabilidade em face aos desafios climáticos, Campanhã é actualmente a freguesia que reúne as condições de Green City capaz de lançar o Porto a um nível de desenvolvimento de cidades de topo. Aliás, sem qualquer estatistica, é fácil verificar – os porcos e ovelhinhas que vemos por Campanhã, e os mais conservadores tanto criticam e apontam como pobreza, poupam trabalho e dinheiro a todos; de Lisboa a Estocolmo, qualquer cidade que se preza investe e nutre estes animais. Em terceiro lugar, e a par da Green City, é a única com condições para oferecer um verdadeiro refúgio de inovação com as condições idílicas desejadas, se não lhe mexerem muito. 

Se preferirem utilizar os indicadores antigos, também nesse campo Campanhã mudou nos últimos anos. Basta consultar os censos. Campanha diminuiu a pobreza diminuindo o numero de dependentes. Quem diria? Pois, terá agora que se encontrar soluções para os T3 e T4 dos bairros sociais.

Não me vou justificar com links ou fontes de informação, porque os portuenses têm passado muito bem com sonegação dos dados estatísticos municipais e fabricação de relatórios. Em condições de Democracia normal, é fácil compreender que estereótipos negativos não ajudam ninguém. 

Para aqueles que gostam das análises a olho, tenho dois argumentos: Campanhã ergue a bandeira LGTB+ há anos, quando nos Aliados o executivo vergonhosamente se recusou por vários anos, catapultando-nos para os anos 80. Relativamente ao tráfico, infelizmente os nossos toxicodependentes morrem sobretudo nos arredores da Pasteleira, em especial quando o nosso Autarca decide retirar-lhes as tendas no dia mais frio do ano.

Para aqueles que mesmo assim não compreendem o prejudicial que são os estereótipos negativos. Deixo um quadro ilustrativo que revela que, pelo menos a nivel cognitivo, memória, capacidade de comunicação e expressão, há freguesias no Porto bem piores que Campanhã. Não deixo para enxovalho, deveriam ser indicadores como estes, e a saúde em geral, o nosso motor para um futuro sustentável. Há muitos nos censos.

Na esperança que adiram a este meu apelo, e com muita pena do nível de silenciamento e falta de debate a que chegámos, despeço-me com amizade. Lembrem-se: Campanhã Matters

Cristina Afonso 

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