Da falta de educação e falta de bases de dados municipais

De acordo com os censos 2021, a maioria dos residentes nas freguesias de Bonfim, Campanhã, Paranhos e Ramalde tem um nível de escolaridade básico, entre o ensino primário e o secundário obrigatório. Ter diversas universidades e politécnicos na cidade não resultou até à data. Com as taxas de natalidade baixas, o problema também não se resolverá com o tempo. A estratégia pública de atrair estrangeiros pode ajudar, 10 pessoas a dividir a renda de um apartamento podem influenciar positivamente o rendimento de um proprietário e dos negócios da cidade em geral, e em consequência isto até poderá vir a influenciar os níveis de educação. Mas, só pelo tamanho e construção da frase, vemos que é uma estratégia foleira. Por outro lado, com as rendas quase ao nível de Barcelona, é difícil competir com o resto da Europa e atrair cérebros. 

Mas o que verdadeiramente interessa é Campanhã, que nesta matéria está em primeiro lugar. Tem ainda menos licenciados que as outras freguesias, e doutorados não chegam sequer à centena. Só com muito esforço público se conseguiria esse feito, e é portanto de aplaudir a última década de estratégias públicas. 

Que solução poderia ter Campanhã? Casas para pobres não resultou, é evidente. Talvez se a comunidade se unisse e fizesse os seus próprios projetos, até a sua própria moeda, afinal é uma freguesia à parte, de tanto não existir é a única que tem espaço para inovar depois desta década em pausa. 

Sucede que para fazer projetos e parcerias internacionais são necessários dados. A Comunidade Europeia financia os municípios para que estes os reúnam e estejam acessíveis de forma fácil à população. Mas não há dados para Campanhã!

Por exemplo, onde está o sensor de qualidade do ar em Campanhã e a respectiva base de dados? Ou outras, bases de dados de equipamentos de lazer, ou outras infraestruturas críticas ou não críticas? Estes dados são importantes para os cidadãos, mas também para o executivo e a oposição. Sem tecnologia para recolha de dados nos locais, como é que o executivo avalia o impacto dos projetos imobiliários? Por exemplo, o impacto de transformar um projecto de urbanização de pequenas moradias num projecto de brutalização imobiliária que está a planear para Monte da Bela ou Monte Pedral? Qual o impacto ambiental, biodiversidade, qualidade do ar, que se irá reflectir aqui e em toda a cidade, durante a construção e após esta? Foi a olho, ou com o recurso ao set de dados Quero Posso e Mando. 

Bem, vou deixar-vos o link das bases de dados municipais, o set Sociedade. Pode dar-se o caso de eu estar tão farta deste executivo vintage que já não vejo nada. Por favor, avaliem a qualidade, utilidade e facilidade de uso dos dados neste portal, e se houver entre os leitores um expert que encontre dados sobre Campanhã, por favor escreva-me, começo a duvidar da existência da freguesia e da minha própria existência, já que a comunidade, exceptuando os malogrados artistas do Stop, parece estar toda satisfeita com a estagnação tecnológica e educacional dos últimos anos. Precisamos de projectos realmente fundamentados para Campanhã. Dados são precisosos. 

Divulgar:

Publicado

em

por

Etiquetas: