A propósito deste vídeo, aqui fica a história para que possa verificar quais os pontos menos corretos.
Desde logo, não havia nenhuma linha da Boavista prevista em 1994. A linha de elétrico na Avenida, tal como todas as linhas de elétrico da cidade, foi encerrada não para dar lugar ao Metro, mas porque havia então um plano de reintrodução de elétricos modernos na cidade promovida no âmbito da Porto 2001. A última linha a encerrar foi a 18 – Carmo, Foz e Boavista. A última circulação do elétrico na linha 18 antes do encerramento ocorreu em julho de 1999, coincidindo com o fecho e posterior demolição da remise da Boavista para a construção da Casa da Música.
A construção da Casa da Música implicou a renovação do troço da Avenida da Boavista entre a Rotunda e 15 de Novembro, por causa da construção dos acessos – entrada e saída – do seu parque de estacionamento e não por causa de nenhum metro. Nenhum carril foi colocado na Avenida nessa altura. Simultaneamente, foram renovadas as linhas de elétrico entre o Infante e o Passeio Alegre, Massarelos e o Carmo e construída uma linha entre o Carmo e a Batalha. Foram também colocados carris na Rotunda do Castelo do Queijo (Praça de Gonçalves Zarco), no novo viaduto por cima do Parque da Cidade, junto ao edifício transparente, na rotunda da Anémona (Praça da Cidade do Salvador) e na marginal de Matosinhos. O objetivo era, então, levar o elétrico ao terminal de cruzeiros. Parte desses carris são visíveis ainda hoje em ambas as rotundas e na marginal de Matosinhos. Aliás, na rotunda do Castelo do Queijo ainda é visível o início da linha que, partindo daí, iria subir a Avenida. Basta lá passar e olhar para o chão ou ver no Google Maps. A expansão da rede de tração elétrica na cidade do Porto foi, inclusive, alvo de um despacho do Ministério do Equipamento Social em 15 de maio de 2000. Infelizmente, a Câmara eleita no final de 2001 abandonou completamente esse plano.
Só posteriormente, já em 2003, quando se pretendeu recriar o circuito da Boavista, a Câmara deixa cair a linha do Campo Alegre, inicialmente prevista para a 2ª fase, e tentou forçar uma linha de metro na Avenida da Boavista, com o objetivo que fosse a metro do Porto a pagar as obras que eram necessárias fazer no troço final da Avenida, ao lado do Parque da Cidade, para ter lá os carros de corrida a passar. O projeto do metro foi alvo em 2005 de um abaixo-assinado promovido por um grupo de cidadãos que se lhe opunha, em favor da reposição do elétrico. O governo nunca aprovou a linha de metro da Boavista, embora a então administração do metro, liderada pelo Major Valentim Loureiro, quisesse pagar a todo o custo essas obras no final da Avenida, mesmo não tendo sido instalado 1 cm de carril sequer (até porque isso “atrapalharia” os carros de corrida e não era esse o objetivo). O projeto para o metro na Avenida contemplava uma passagem superior sobre o Parque da Cidade paralela ao atual viaduto junto ao edifício transparente. Foi desse viaduto que os carris colocados aquando da sua construção pela Porto 2001 para a reposição do elétrico, e que eram pertença dos STCP, foram arrancados em 2005 pela Câmara, porque, mais uma vez, “atrapalhavam” as corridas.
Pela mesma época, 2005, foram fechados os acessos ao parque de estacionamento da Casa da Música (que não tenho a certeza se alguma vez chegaram a funcionar, já que a Casa da Música foi inaugurada só nesse ano), criando-se uma área asfaltada por cima onde, supostamente, iria ser instalada a linha de metro. Aliás, para evitar que fosse usada como estacionamento, foram pousados carris na periferia dessa área.
Em 2008, a então Secretária de Estado dos Transportes, Ana Paula Vitorino, anunciou a linha do Campo Alegre como fazendo parte da fase seguinte de expansão, linha que se previa fosse construída entre 2011 e 2016. A crise que se seguiu e a pouca vontade da CMP impediu a sua concretização.
Em 2012, a Câmara promove a requalificação da Avenida da Boavista, tendo então de novo aberto os acessos ao Parque de Estacionamento da Casa da Música anteriormente construídos. A requalificação deveria ter abrangido toda a Avenida, mas, por problemas de financiamento, atrasou-se até à chegada à Câmara do Rui Moreira, que não quis terminar a sua requalificação, ficando feita apenas até à zona do Bessa, obra que estava já a decorrer na altura.
Em traços gerais e com possibilidade de verificação dos factos, aqui fica a história do metro da Boavista, algo diferente da contada no vídeo que, como bem informa logo no início, é para “tótós” (sem ofensa).